Em busca de sentido

“O sentido torna muitas coisas, talvez tudo, suportável.” Carl G. Jung

O sentido nos conecta à realidade, nos faz viver apesar do sofrimento, dá coerência ao que somos

diante da coletividade, leva luz às trevas e é alimento da alma.

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Por que não consigo mudar? (Vídeo)

     A presente palestra é uma explanação em vídeo do texto "Por que não consigo mudar?", já publicado neste blog. Fique atento: outros vídeos sobre o assunto serão publicados. Envie perguntas nos comentários. Poderei respondê-las em vídeos futuramente.


I Started A Joke (Eu comecei uma piada): um estudo interpretativo por Mary Lee Foote (TRADUÇÃO)


Interpretação traduzida pelo autor deste blog
Fonte da interpretação: http://www.napathon.net/IStartedAJoke.php  (indicada por http://www.facebook.com/pietro.impagliazzo)


     Embora esta canção, como referência musical, seja considerada antiga, ela ainda apresenta um vigor atual para as massas que perpetuamente descobrem e redescobrem o talento dos Bee Gees. Mesmo aqueles de nós que foram fãs no espaço de uma geração encontram um novo significado nas letras antigas, do mesmo modo que a vida nos encaminha a dimensões nunca antes exploradas.
     Muitas vezes vista como um comentário espiritual de Robin, ele nunca afirmou ser esta a base da letra, como tal. A experiência atrai-nos todos a uma diversidade de sentidos, muitas vezes de uma só vez, e inspiração é o que transborda dessa sobrecarga.
     Quem sou eu para galgar as grandes mentes do nosso tempo e analisar seus cérebros criativos? Porém, atentei para algo tecido na letra aqui analisada que nunca vi discutido antes. A composição envolve apenas oito linhas de expressão poética, limpas e diretas na aparência e na concepção, ainda mergulhadas no mistério de mil eras. Essa música deixa descoberta partes da alma que tendem a ficar ocultas até mesmo de nosso próprio eu mais profundo.
     Vemos nela nossos pecados pessoais de omissão que não parecem tão bonitos em preto e branco e são ainda mais assustadores quando se apresentam em um pacote musical de versos sutis e voz solo. Embora eu perceba onde a temática espiritual, através da canção, ressoa em nós, vejo aqui, também, o comentário pessoal de um dilema moral interior feito pelo sujeito e do processo gradual pelo qual ele racionaliza sua justificativa para não seguir sua voz pessoal interior. Esta pessoa quer desesperadamente largar sua máscara formal e permanecer na pureza da verdade, ao invés de se esconder no silêncio civilizado em face da injustiça.

I started a joke
Which started the whole world crying
But I didn't see
That the joke was on me.
Eu comecei uma piada
A qual fez o mundo inteiro começar a chorar.
Mas eu não percebi
Que a piada era sobre mim.

     Ele especula as consequências de tal ação de sua parte. Sabe que sua declaração vai perturbar o mundo que, até este ponto, estava vivendo confortavelmente em seu próprio autoengano superficial. Como a sua visão é tão diferente de tudo o mais, ele sabe que isso vai perturbar a tranquilidade sedada daqueles que o cercam. Em retaliação defensiva, ao invés de reexaminar, se transformando e admitindo o erro de seus caminhos, a sociedade iria virar as costas, em uma expressão de desdém coletivo, e proclamar que a verdade fundamental que ele expôs é apenas a loucura de um brincalhão.

I started to cry
Which started the whole world laughing
Oh if I'd only seen
That the joke was on me
E eu comecei a chorar
O que fez o mundo inteiro começar a rir.
Se eu somente tivesse percebido
Que a piada era sobre mim...

     Ele percebe que não será levado a sério e chora na frustração de ser o único que teve essa consciência da verdade e da realidade. Sente-se sozinho e pequeno no universo. Assim, ele sabe que o mundo comprazerá em sua aparente fraqueza, fracasso e arrogância. Sabe que eles se unirão para aniquilar impiedosamente seu discurso e ameaçá-lo onde quer que vá, todos os dias da sua vida.

I looked at the sky
Running my hands over my eyes
And I fell out of bed
Hurting my head from things that I said
E eu olhei para os céus,
Passando minhas mãos sobre meus olhos.
E eu caí da cama
Me machucando pelas coisas que disse.

     Ele olha para cima, buscando a aprovação celeste e solução para questão. Tenta limpar os olhos à procura de um sinal do despertar milagroso dos que o rodeiam. Só quando ele começa a secar os olhos na fé de que, por causa de sua sinceridade de coração, certamente a mudança ocorrerá agora, é que cai de seu estado de sonho para a realidade. Precipita-se penosamente de volta da graça para o momento.
     A atrocidade de toda a situação se lança sobre ele como um tsunami assim que ele distingue as consequências do que iniciou com sua simples declaração sobre a verdade. Seu pensamento paralisa e suas próprias palavras não podem mais fazer sentido, como se elas se afogassem num turbilhão de confusão entre as emoções humanas e a verdade da alma. Ele acaba morrendo quebrado, partido, porque conhece a verdade, mas nunca a reivindicou com a máxima determinação, devido à sua falta de perseverança com relação às convicções pessoais. Via a si mesmo como totalmente inadequado para desafiar o que não aprovava neste mundo, por isso nunca se ergueu em nome do que acreditava.

'Till I finally died
Which started the whole world living
Oh if I'd only seen that the joke was on me
Até que eu finalmente morri,
O que fez o mundo inteiro começar a viver.
Se eu apenas tivesse percebido que a piada era sobre mim...

     Após sua morte, a civilização perpetua em sua alegre ignorância, incólumes da voz da verdade que manteve encoberta. Ele se foi, e com ele, a ameaça potencial que representou para uma sociedade melindrosa e eufórica.
     No final, ele percebe que de fato tinha tido razão e que era a sociedade que estava realmente errada. Compreende, então, tarde demais, que teria feito a diferença se não tivesse cedido a seus próprios medos imaginários.
     Ele perdeu uma vida inteira reprimindo a si mesmo e à verdade que havia conscientizado. Tornou-se o seu pior inimigo. Ele amordaçou sua própria alma - e não a sociedade, a qual ele tentou responsabilizar por sua inércia. Acabou se tornando a mesma coisa que uma vez ele moralmente repeliu furioso - um mudo, vítima do autoengano de uma pretensiosa sociedade urbana.

     Sim, a piada era sobre ele.

Análise: Soldados dançam funk ao som do hino nacional



Um vídeo do You Tube mostrou seis soldados dançando uma versão funk do hino nacional. Depois de tomarem a posição de "sentido" e prestarem continência, a introdução do hino nacional brasileiro é tocada e, quando é seguida de sua versão funk, e os soldados passam a dançar, animada e libidinosamente, uma coreografia. Este texto não visa legitimar esse tipo de prática, e não a justifica, mas oferece uma reflexão sobre o ocorrido.
Percebe-se que, enquanto o hino estava sendo executado na versão tradicional, que é a correta, considerada como símbolo nacional, os soldados fizeram continência: nisso não se nota falta de respeito, uma vez que se encontravam sérios e em postura marcial. A desordem começou mesmo na versão funk do hino, cujo autor, ao que parece, não foi divulgado e nem criticado. Essa é uma análise mais centrada no conteúdo objetivo do vídeo.
O vídeo exibe a confrontação de duas atitudes opostas: uma espiritual, devocional, respeitosa, e outra instintiva, desleixada e negligente. Os conteúdos espirituais e instintivos têm uma longa história de oposição, e muito sangue foi derramado por conta desse conflito. Basta uma breve referência ao tratamento oferecido àqueles que se entregavam ao sexo desmedido, principalmente nos relatos do Antigo Testamento e do Alcorão. Refletem, acima de tudo, um processo de desenvolvimento da civilização. Segundo Jung (1991a), o intelecto evoluiu a partir desses enfrentamentos e diferenciações. Mas pode-se dizer que o homem, em geral, chegou a um ponto de unilateralidade máxima com relação ao valor que dá ao intelecto e à ciência. Parece que se vive atualmente um retorno à entrega indiscriminada ao instintivo como forma de compensação da parcialidade anterior, acima de tudo por conta do consumismo desenfreado. Dessa forma, os soldados exibem no vídeo as duas atitudes opostas: primeiro, a aceitável; segundo, a repreensível.
Tudo indica que dançaram e expuseram o vídeo na Internet por prazer. Mas esse prazer decorreu, ao que parece, de um relaxamento em relação ao que é rígido, tradicional e imposto, o que é normal em um quartel. A filmagem poderia ter ocorrido em local não militar, mas ocorreu no âmbito de um quartel. É como se um determinado espírito trickster (ou malandro) os tivesse tomado. “Na mitologia, e no estudo do folclore e religião, um trickster é um deus, deusa, espírito, homem, mulher, ou animal antropomórfico que prega peças ou, fora isso, desobedece regras normais e normas de comportamento” (WIKIPEDIA, 2011). Não seria difícil imaginar um grupo de sacis encapuzados de vermelho executando a mesma travessura. Portanto, a tensão entre o rigor e o flexível, a norma e o anômalo, o certo e o errado, encontrou sua expressão e escoamento. É provável que, se tivessem encontrado uma forma mais aceitável de se exprimirem, ou de relaxarem, não teriam dançado o hino funk. Mas a intenção, provavelmente inconsciente, era confrontar a norma abertamente, como se a libertinagem tivesse o mesmo direito de expressão em público que os costumes. O Carnaval, por exemplo, exerce esse papel.
Já a segunda atitude dos soldados não ocorreu com a reprodução do hino regular, mas com a versão funk, que não foi autorizada pelo presidente da república como prevê a Lei 5.700/71, assim como várias outras versões tocadas indiscriminadamente. Segundo essa mesma lei “Ninguém poderá ser admitido no serviço público sem que demonstre conhecimento do Hino Nacional” (Art. 40). É preciso pontuar que os militares executam rigorosamente essa norma. E também é obrigatória a sua execução pelo menos uma vez por semana em escolas públicas e privadas de ensino fundamental (§ único do Art. 39). Mas essas reverências previstas em lei federal não são executadas e, talvez, sequer conhecidas.
Apesar do tratamento de rito militar dado aos símbolos nacionais (em psicologia junguiana seriam chamados “signos” – objeto que representa algo diferente de si mesmo – e não “símbolos”), percebe-se que essa ocorrência com os soldados reflete uma perda do significado associado à emoção de identidade com o país e o seu povo, ou revela, no mínimo, a falta de cultivo de valores na sociedade atual. E aqui não se pode afirmar que essa perda de significado ou falta de valores ocorra apenas no Brasil. Parece ser um fenômeno de ocorrência mundial, caso contrário quase nenhum brasileiro perceberia esses fatos de forma bem-humorada, o que ocorreu. É claro que esses símbolos, em determinadas ocasiões, são “ativados” emocionalmente em relação ao seu significado de identidade nacional, e que a expectativa do Estado é que isso ocorra o tempo todo, de forma contínua. Exemplos de ativação temporária são a sua manifestação nos jogos da seleção na Copa do Mundo e nos jogos olímpicos, missões de paz em outros países, etc. Nesses casos aviva-se novamente a identidade dos símbolos com o país e o povo de origem.
No caso desses símbolos terem perdido seu significado original, pode haver um motivo essencial. A política internacional e nacional está relativamente estável. Não há um distúrbio nacional onde as pessoas precisam de um princípio unificador, de coesão emocional. Em países em processo de turbulências políticas, a situação muda de figura. É bem provável que esses símbolos se encontrem repletos de significado, pois há necessidade de figuras agregadoras. Por isso, talvez a melhor expressão para indicar o desrespeito dos soldados é, nesse caso, "despojo temporário de significado". Os símbolos nacionais ganham nova expressão emocional na medida em que são necessários. Enquanto isso, eles têm uma função parecida com a que tem Deus para uma pessoa mais ou menos religiosa, que não passa por maiores dificuldades. Assim que a turbulência da vida sobrevém, ela se põe a orar a Deus...
Além disso, existe o fato da falta do cultivo de valores na sociedade de consumo. Nos comerciais as pessoas são constantemente trocadas por objetos, com referências bem-humoradas, com o objetivo de valorizá-los: o marido troca a esposa por um conjunto de canais de esporte de TV por assinatura, a mulher que valoriza o homem pelo seu perfume, etc. Porém, isso se faz ao custo do sacrifício de valores humanos.
Há também outra questão: a série de irregularidades que os representantes do povo brasileiro executam à nação refletem, com certeza, nos símbolos que a indicam. Se o país, o Estado e o povo não é respeitado, por que seus símbolos o serão? O vídeo retrata visualmente o que todos os brasileiros presenciam muitos políticos realizarem com os recursos nacionais: uma completa deterioração de valores. Ao som do Hino Nacional, vários políticos dançam o funk da impunidade, da corrupção, da irresponsabilidade, da improbidade, etc. Na impossibilidade de se punir aqueles que se comprometeram a representar e a respeitar o povo brasileiro, do mesmo modo que os soldados juram em bem representar sua nação e o Exército, pune-se estes que, por projeção e inconsciência, não têm poder e são mais vulneráveis. As mentes mais simples se satisfazem com a punição dos soldados, enquanto seus representantes continuam tão inconscientes e inconsequentes quanto a maioria dos seus eleitores. Infelizmente, o rigor político não imita o militar. Não que os soldados devessem ser perdoados. Mas teriam eles executado a dança funk ofensiva do hino nacional se o cenário político fosse outro?

FILME: "Taare Zameen Par - Como estrelas na terra"

SINOPSE: "Ishaan tem oito anos, é cheio de imaginação e gosta muito de desenhar e brincar. Solitário, tem como amigos os cães e os peixes do aquário. Suas brincadeiras passam por poças d'água e pipas. Ele não presta nenhuma atenção nas aulas e, antes de ser reprovado por preguiça e rebeldia, seus pais o transferem para uma escola interna. Num primeiro momento, o garoto se sente abandonado e sofre com a separação. Mas o professor de arte Nikumbh percebe a existência de um problema e, na busca da solução, devolve a alegria e a auto-confiança de Ishaan." (Fonte: http://www.cineplayers.com/filme.php?id=4993)

Gostei muito desse filme. É a história de uma criança que recorre a mau comportamento para encobrir sua deficiência na escrita e na leitura (dislexia). O final é emocionante e muito instrutivo. E os clips indianos ao longo do filme são cativantes. Vale a pena assistir. Para quem quiser o download com legenda em português: http://www.megaupload.com/?d=OHPKE6JJ. Os opostos puer e senex estão presentes, assim como vários outros aspectos: a sombra, a importância da arte na expressão do inconsciente, etc.

APRESENTAÇÃO DO BLOG: Nossa capacidade de admirar-se

A capacidade de admirar-se com os acontecimentos da vida há muito tempo está perdida para a maioria das pessoas. Primeiro, porque atualmente o sentimento de maravilhar-se é sinônimo de inocência, de infantilidade. Segundo, porque quem se surpreende geralmente é questionado se ainda está neste mundo, se ainda não "se ligou" no que as revistas, jornais ou a TV sempre estão informando. A informação hoje em dia é uma rotina. Viver no mundo estressante da cidade subtrai toda a energia que em parte poderia ser aproveitada para se atentar ao que ocorre no íntimo de cada um. A preocupação em viver "aí fora", em se obter informação exterior é tão grande, que não há tempo para se cuidar das verdadeiras necessidades individuais. Aliás, se custamos nos lembrar dos sonhos, quanto mais do nosso íntimo.

 Se é verdade que a capacidade de ficar perplexo é o começo da sabedoria, então esta verdade é um triste comentário à sabedoria do homem moderno. (...) Quiçá seja esta atitude uma razão por que um dos mais enigmáticos fenômenos de nossa vida, os nossos sonhos, dê margem a pouco espanto e suscite tão poucas perguntas. (FROMM, 1966, p. 11)


O deslumbramento que causa o insight do significado de um sonho é capaz de expulsar esse estado hipnótico do que dizem ser o normal da nossa vida. Esse padrão aprisionador coletivo impede a autoconfiança e a capacidade de empatia com o outro. Cada vez mais as pessoas deixam-se levar pela fascinação da imagem, do aspecto exterior, e se esquecem do que realmente querem e de quem são. Isto é falta de amor próprio. A auto-estima é sinônimo de vida, confiança, consciência do próprio valor (daí a humildade que dela decorre naturalmente) e de aceitação, daí o seu poder criativo, a capacidade de admirar-se e de desenvolver-se.
Este site pretende antes de tudo divulgar o trabalho com os conteúdos internos de cada um – seja no âmbito dos sonhos, da imaginação, dos símbolos, dos sentimentos, das sensações e dos pensamentos – como uma ferramenta para que se tenha uma vida mais rica em todos os sentidos. Isso se dará de forma adaptável ao dia a dia. Embora estas páginas recorram muitas vezes à psicologia para explicar certos fenômenos e a técnicas, use expressões científicas, e sua aplicação acabe tendo um resultado terapêutico, não se pretende aqui fazer psicoterapia. Esta constitui um trabalho mais abrangente, feito de forma contínua, que exige todo um conhecimento da história do paciente e execução por pessoal por profissionais treinados. Como pré-condição, geralmente o paciente encontra-se em um estado emocional ou comportamental desconfortável, um mal-estar. Aqui, o internauta encontra um incentivo para a busca do autoconhecimento e pode ou não encontrar-se em desequilíbrio emocional. No entanto, deve-se levar em consideração que quanto pior for a situação psíquica, maior a necessidade de se procurar um psicólogo, pois as instabilidades emocionais contínuas e fortes normalmente não cedem a um esforço individual.

Estas páginas pretendem ser um pequeno incentivo para o cultivo da semente original, da essência de individualidade através dos sonhos e da função imaginativa. O objetivo primordial é despertar o interesse pelos conteúdos interiores. A finalidade é, antes de tudo, chamar a atenção para os impulsos íntimos, ao que eles estão requerendo, às necessidades interiores. Segundo, oferecer "ferramentas" subjetivas, uma base de compreensão suficientemente forte que sirva de incentivo e referência para autoanálise, reflexão e atenção. Nesse estágio, poderá haver disponibilidade de muito mais recursos, bem mais adaptados à particularidade de cada um, para a exploração do próprio mundo interior.