Em busca de sentido

“O sentido torna muitas coisas, talvez tudo, suportável.” Carl G. Jung

O sentido nos conecta à realidade, nos faz viver apesar do sofrimento, dá coerência ao que somos

diante da coletividade, leva luz às trevas e é alimento da alma.

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A Via Láctea ou o caminho de Renato Russo

    “A Via Láctea”, canção da banda Legião Urbana, é uma das mais depressivas de todos os álbuns. Sua letra e o tom de voz de Renato Russo assinalam uma congruência marcante em um grande sentimento de tristeza. Apesar de sua letra ser muito explícita e não haver, aparentemente, quase nada para se explorar em termos simbólicos, vou fazer uma tentativa para torná-la ainda mais compreensível ao nível dos sentimentos e da psicologia. Para isso, vou utilizar dos conhecimentos da psicologia humanista de Carl Rogers, o qual enfatiza a importância da aceitação incondicional de si mesmo e das pessoas em geral, assim como da qualidade da comunicação intra e interpessoal. Complemento essa abordagem da psicologia pessoal com uma análise impessoal dos símbolos mitológicos que aparecem na música.

Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz…

    Longe de ser um clichê, algumas das primeiras palavras que qualquer pessoa diria a um depressivo, essas afirmativas são arquetípicas, isto é, se encontram sulcadas na alma de todo homem há muitas gerações. Para se ter uma ideia do tamanho dessa verdade, sabe-se que, quando alguém se encontra em um momento de extrema dificuldade, onde não percebe nenhuma saída ou solução, os sonhos costumam exibir imagens afins com símbolos religiosos muito conhecidos: anjos, profetas, presenças ou objetos sobrenaturais, etc. Além disso, surgem temas como motivos circulares, cruzes, grande frequência do número quatro sob a forma de quatro pessoas ou objetos, quadriláteros, pontos centrais, etc., denotando uma tentativa da psique de se ordenar, se estruturar e se fortalecer, com isso. É como se o inconsciente dissesse frases como: “Você está afundando, está desorientado. Por isso tome essa bússola ou esse guia, e oriente-se pelos quatro pontos cardeais”; “Apesar de você não ver saída, existem forças além do seu alcance que podem ajudá-lo”; “Sinta-se em paz e em unidade com essa praça em forma de círculo”. Intelectualmente o aparecimento desses símbolos pode não ser compreensível, mas eles são perfeitamente claros para nossos sentimentos, nosso lado emocional (JUNG, 1990c).
    Pessoas voltadas mais unilateralmente para a reflexão acadêmica, escolar, não podem compreender os sentimentos, pois “Já não sentimos assim que pensamos” (MENDELSSOHN, 1766, apud VON FRANZ e HILLMAN, 1990). Isso ocorre porque pensamento e sentimento são duas funções que operam de maneira completamente oposta. O primeiro usa de ideias para julgar o mundo, categorizando o certo e o errado, o lógico e o ilógico, etc.; o segundo usa dos sentimentos para isso, percebendo o que é agradável ou não, adequado ou inconveniente, e muito mais. O pensamento separa o sujeito do seu meio, distanciando-o para que possa perceber de maneira isenta; já o sentimento coloca o indivíduo em estreito contato com a realidade, de forma que possa “sentir com” o outro, usando da empatia. Por esse motivo o intelectual, quando tendendo a usar somente o pensamento para interagir com o mundo, parece ser bem mais frio que a pessoa que o faz com os sentimentos (JUNG, 1991e).
Ou sentimos ou pensamos: não é possível exercitar
as ideias e os sentimentos simultaneamente.
    Portanto, pode-se dizer, e os fatos comprovam, que, apesar dos muitos momentos de completa escuridão e desorientação, sempre existe um caminho, uma luz nessas ocasiões, e o nosso inconsciente insiste nisso. Pode ser que o eu não se recupere e não consiga superar a situação, mas a indicação motivadora sempre tenderá a estar lá. É intrínseco ao ser humano (JUNG, 1991e).

Mas não me diga isso…

    No entanto, uma coisa é surgir um símbolo em nossos sonhos, uma voz onírica falar conosco, um sentimento de alento surgir espontaneamente no meio da turbulência emocional… Outra é alguém chegar e dizer que há sempre uma saída, uma luz. Dizer isso é expressar uma ideia, é impor um pensamento, uma conclusão lógica atestada por outras situações vividas. Não há expressão de empatia nisso, nenhuma demonstração de sentimento, embora a pessoa possa ter emitido essas ideias baseada em afinidade ou compaixão. Para se lidar com sentimentos, chamados geralmente de “negativos”, é preciso que alguém “sinta com” o outro, e interaja em sintonia e de acordo com essa sensibilidade. A emissão pura de ideias apenas nos distancia da vivência do outro.
    Não existe, em geral, palavra de consolo nos casos em que estamos completamente transtornados. Isso porque esses sentimentos não podem ser negados, pois isso seria negar sua realidade. Vindas de fora essas mesmas mensagens negam o que se encontra dentro. Porém, quando conteúdos internos, associados à paz, livremente abatem outros elementos opostos, ligados ao conflito, a sensação é diferente.
    Entretanto, a luz pode surgir de fora de outro modo. Quando alguém descreve para um indivíduo angustiado ou depressivo seu estado, essa descrição funciona como uma luz na escuridão da situação que a pessoa vive. Isso é empatia. Se alguém passa ao outro o que compreende do que este relata que sente, é como se a pessoa se olhasse no espelho, e pudesse então perceber seu próprio estado, podendo, então, tomar providências a respeito. É como se, por instantes, pudesse sair do jogo de tormentos no qual se encontra detido emocionalmente. Mas essa espécie de “espelhamento” deve durar o tempo suficiente para o processo de esclarecimento ocorrer plenamente, e traga, como resultado, um certo alívio.

Hoje a tristeza
Não é passageira
Hoje fiquei com febre
A tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela
Parecerá uma lágrima…

    A depressão é um estado prolongado de tristeza. Renato parece dizer que “hoje em dia” a tristeza não é passageira, ao contrário de outros tempos. Ele se encontra febril, pois sofre com a AIDS.
    Renato, então, projeta sobre a natureza o seu estado interno. Quando chegar a noite, isto é, no futuro, quando não mais for dia, quando não houver mais a tarde em que está febril e a doença tiver cumprido o seu desígnio, a noite, a morte, chegará. Então, cada estrela parecerá uma lágrima sobre o rosto escuro do céu. O céu padecerá e chorará.
A Via Láctea, observável com mais clareza em lugares
com pouca ou nenhuma luminosidade
    A Via Láctea, o “Caminho do Leite”, deve seu nome à protusão de estrelas concentradas em uma faixa do céu noturno. Mas para Renato essas mesmas estrelas são lágrimas. Essa associação parece ser a única explicação clara para o título da música. No entanto, pode ter havido um motivo inconsciente para que o compositor a nomeasse desse modo. Aqueles símbolos a que aludi no início deste texto podem surgir não apenas nos sonhos, mas em qualquer outra manifestação do comportamento humano, pois é normal o inconsciente se intrometer nas atividades dos indivíduos sem que estes tomem conhecimento pleno do que fazem. Não só o inconsciente pessoal, que contém os conteúdos próprios de uma pessoa, mas também o inconsciente coletivo, que agrega elementos comuns a toda a humanidade. A Via Láctea já era observada na pré-história, e é motivo para inúmeros mitos.
    Os kwakiutl, um povo da Ilha de Vancouver, no Canadá, acreditam que a Via Láctea é a imagem visível de um pilar cósmico de cobre que ingressa no céu por meio da “Porta do Mundo do Alto”. Ela é representada, então, por esse povo, com um poste sagrado, um tronco de cedro de dez a doze metros de comprimento, do qual mais da metade sai pelo telhado do templo. A este é conferida uma estrutura cósmica, devido ao importante papel desempenhado pelo poste. Assim, nas canções rituais, o templo é chamado de “nosso mundo”, e seus habitantes, apresentados para a iniciação, proclamam: “Estou no Centro do Mundo… Estou perto do pilar do mundo”, etc. Na Indonésia, os Nad’a de Flores também assimilam o pilar cósmico ao poste sagrado, e o Universo ao templo. “O poste de sacrifício chama-se ‘Poste do Céu’, e acredita-se que o Céu seja sustentado por ele” (ELIADE, 1992).
    No caso de Renato Russo, pode-se dizer que um dos símbolos que sua psique usa como que para lembrá-lo de suas raízes, de seus fundamentos últimos, é a Via Láctea, que representa inconscientemente para ele um pilar cósmico onde é feito o último sacrifício. A música é seu cântico iniciático; o estúdio de gravação o seu templo. Por seu caráter sagrado e privativo, a música não foi apresentada em público. O pilar é feito de lágrimas…
A dança de inverno dos Kwakiutl, de Vancouver, Canadá.
    O mito das cinco eras da humanidade retrata que, na Idade do Bronze, o homem corrompeu-se como nunca fizera anteriormente. Então Zeus (Júpiter) indignou-se e convocou os deuses para um conselho. Todos o obedeceram e tomaram o caminho ao palácio do céu. Esse trajeto é visto nas noites claras atravessando o céu (BULFINCH, 2002).
    Mais uma vez uma pista de que o inconsciente coletivo expressou-se em Renato, um mito brasileiro, de maneira a indicar que em breve ele também tomaria o caminho que uma vez os deuses fizeram para se apresentar ao deus maior grego. A soma dessas referências mitológicas ao conteúdo de uma letra musical servem como uma orientação geral para o sentido subjacente, oculto, daquilo que o movia, do seu destino. Muitas vezes, quando esse processo, chamado de amplificação, é efetuado nos primeiros sonhos de um cliente no início de uma psicoterapia, pode ocorrer a indicação de como seguirá o tratamento, isto é, o prognóstico do processo terapêutico.

Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza
Das coisas com humor...

    O cantor queria saber usar uma máscara, como a maioria das outras pessoas, e rir do próprio sentimento, do sofrimento, fingir que está sempre bem… Nunca demonstrar estar atolado em um foço sem fundo. “Ver a leveza das coisas…” Isso porque pode-se também ver o “peso” das coisas e senti-las “pesadas”. É questão de perspectiva, pois, nesse caso, é o sujeito que projeta nos objetos sua própria perspectiva pessimista ou otimista. O mesmo que se perceber o copo metade cheio ou metade vazio.
    É possível, além disso, perceber os acontecimentos com humor, com leveza de ânimo. É impressionante como existem humoristas famosos que sofrem de depressão. Outro dia Robin Williams cometeu suicídio… Renato pode querer encarar tudo com humor, mas não pode, pois seu temperamento não permite. Pelo visto, iria sofrer ainda mais se o fizesse. Ele é capaz de perceber suas impressões internas e valorizá-las o suficiente para não desprezá-las ou fingir que não existem. “Os outros”, ou seja, a maioria das pessoas, fazem o oposto. Talvez nem chegam a perceber o que sentem ou pensam, já que rejeitam a si mesmas. No entanto, isso é muito perigoso, pois pode ocorrer de essas impressões voltarem com força redobrada mais tarde, principalmente em situaçṍes de cansaço, estresse ou doença, quando a vigilância está enfraquecida. E dessa vez sem que o indivíduo tenha conhecimento mínimo do que as motiva ou da sua origem.

Mas não me diga isso...
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia
Não é?...

    Renato aqui parece acolher as frases feitas normalmente emitidas com intuito de tirar alguém da depressão ou torná-lo mais alegre. Ele as acolhe para que a pessoa o deixe em paz. “Amanhã é um outro dia. Não é?”. Este “Não é?” pede a concordância da afirmação que o antecede. Ele concorda para a pessoa, e a questão prevê que ela concorde. Porém, a estrofe anterior esclarece que Renato não concilia com esses pensamentos e, portanto, esse “não é?” constitui mais uma dúvida lançada ao outro que está ao seu lado: “Será outro dia mesmo?”. Sabe-se que para os depressivos não é bem assim...
    Aquele que tenta consolá-lo pode ter a melhor das intenções, mas provavelmente costuma fazer consigo mesmo o que o cantor aludiu na última estrofe. Faz a si mesmo e quer que os outros façam igual. É como uma corrente de cegos em que ninguém sabe para onde vai. Enquanto o indivíduo possui alguma força para superar esses sentimentos “negativos”, e estes não são muito intensos, essas sugestões podem funcionar até certo ponto, por tempo limitado. Ele pode se dar ao luxo de se distrair com outros eventos e pessoas. Entretanto, para quem sofre de depressão, um dia é igual ao outro.

Eu nem sei porque
Me sinto assim
Vem de repente um anjo
Triste perto de mim…

O filme "Divertida Mente" é uma ilustração interessante
da interação das nossas diferentes "partes"
ou subpersonalidades.
    A depressão se origina de motivações inconscientes. O depressivo, em geral, se acostumou tanto a separar partes de si mesmo e jogá-las em um porão escuro de sua psique, que um dia chega o momento de essas partes vitais reivindicarem seu direito de existir, de terem liberdade de se expressar, de poderem sair. Querem, e devem, ter o mesmo direito da pessoa que as expulsou da consciência. Aliás, por que chamar esses elementos excluídos de “partes”? Não são pessoas também? Não atuam como gente que discorda da nossa opinião? Sim, elas se comportam com autonomia, são sentimentos, ideias e impressões que nos assaltam sem pedir autorização, e todos temos essa experiência há muito tempo. São como anjos tristes, de asas cortadas, que não podem voar livremente. À sua aproximação também ficamos tristes e por isso os queremos longe de nós. Por que não deixá-los conviver conosco ao lado das porções que acolhemos alegremente? Afinal, todos fazem parte do nosso reino individual, um reino que tem o nosso nome e do qual somos governantes e gerentes. Deveríamos saber o que pensa a gente que vive nele, e assim, saberíamos porque nos sentimos “assim”, como um anjo triste.

E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado
Por pensar em mim…

    O cantor teve muita febre causada pela AIDS. E ele tenta sorrir ao(s) que o visita(m), mas o faz “sem graça”, não espontaneamente, mas para o(s) visitante(s). Não quer atenção: talvez se sinta irritado ou indisposto por causa da doença, ou porque não é a atenção que gostaria de ter.
    A espécie de atenção que alguém atormentado por sentimentos depressivos, de desorientação e angústia gostaria de ter é aquela que envolve aceitação de seus sentimentos, a qual passa a provocar, pouco a pouco, a capacidade de ouvir a si mesmo, como ocorre em psicoterapia. Então o indivíduo começa a receber mensagens de seu próprio interior, e percebe que está com raiva, reconhece quando tem medo e toma consciência de que se sente com coragem. Se o processo de aceitação do outro continua, passa a haver uma abertura contínua ao que sempre negou e reprimiu. “Pode ouvir sentimentos que lhe pareciam tão terríveis, tão desorganizadores, tão anormais ou tão vergonhosos, que nunca seria capaz de reconhecer que existissem nele. Como exprime um número cada vez maior de aspectos ocultos e terríveis de si mesmo, percebe que o terapeuta tem para com ele e para com os seus sentimentos uma atitude congruente”, ou seja, ele mesmo expressa aceitação incondicional de sua própria pessoa tanto em palavras quanto em gestos e atitudes corporais, denotando que é o que sente e o que aparenta ser. Por causa do terapeuta, “Vai lentamente tomando uma atitude idêntica em relação a si mesmo, aceitando-se como é, e acha-se portanto caminhando no processo de tomar-se o que é.” Aqueles que vivem atrás de uma fachada, que tentam agir em desacordo com seus sentimentos, não conseguem ouvir o outro livremente, pois estão sempre alertas, com medo de que o outro rompa sua fachada defensiva (ROGERS, 1997, p. 75 e 375).
    Renato parece saber que as pessoas em geral querem seu bem, mas não quer sua atenção porque não é a atenção que precisa. No entanto, agradece por voltarem o pensamento para ele, já que isso denota preocupação e afeição.

[...]
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser
Quem eu sou...

Uma das melhores expressões do numinoso na literatura
sagrada é a revelação de Deus a Jó.
Ilustração de William Blake.
    Quando tudo está perdido, quando percebe que perderá tudo o que conseguiu na vida, que a morte está perto, que não há ao que recorrer… Quando se encontra desorientado, se sente derrotado, extraviado, desesperado, o cantor se sente sozinho e não quer ser mais quem é. Sua autoestima parece muito abalada. Como já aludido no início deste texto, é nesses momentos, aqueles em que não há qualquer esperança ou salvação, que aparecem símbolos numinosos no interior da psique ou mesmo exteriormente, como que para conferir força e lembrar ao eu suas verdadeiras raízes, com o fito de fornecer segurança, sentido e organização. A numinosidade consiste em uma situação extremamente emocional e paradoxal que, em última análise, equivale ao encontro com um aspecto divino para o qual não se está apto a apreciar ou dominar logicamente, porque é mais forte do que o eu. É algo insuperável, o encontro com o “tremendum” (impressionante) e o “fascinosum” (fascinante), frente ao qual se pode apenas ter uma atitude de abertura, deixando-se dominar e ao mesmo tempo confiando no seu sentido (JUNG, 1983, p. 627).
    Provavelmente, foi por causa do aparecimento desses símbolos numinosos, no mínimo ao nível dos sentimentos, que Renato decidiu não adicionar ao álbum “A tempestade”, onde consta a presente canção, a frase tradicional: “Urbana Legio Omnia Vincit” (Legião Urbana a tudo vence) e “Ouça no volume máximo”. Frente à situação iminente de morte, provocada pela doença letal, ele não poderia mais dizer que qualquer condição poderia ser vencida. Ele estava completamente subordinado ao desígnio do destino. Ao mesmo tempo, não deveria recomendar que as canções desse álbum fossem ouvidas no volume máximo, já que a força renovada e recente de sua depressão apontavam ao luto, pois tudo estava perdido…
    Talvez a canção mais indicativa do tipo de símbolo que apontei seja “Soul Parsifal” (Alma de Parsifal), do mesmo álbum. Como se sabe, Parsifal parte na demanda do Santo Graal, a mítica taça que contém o sangue que vazou da ferida de Cristo crucificado. Segundo a lenda, o cálice tinha a propriedade de restaurar a vida e curar doenças (WIKIPEDIA, 2015). O título da música indica que alguém tem “alma de Parsifal”, isto é, alma aventureira, corajosa, que parte em busca do cálice santo para conseguir uma cura ou a imortalidade. Renato Russo com certeza alcançou o seu intento: tornou-se imortal, vivente há décadas na nossa memória e, agora, na das novas gerações.

Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado
Por pensar em mim...
[...]
Ilustração de Parsifal em busca do Santo Graal.


REFERÊNCIAS


BULFINCH, Thomas. O livro de ouro da mitologia: histórias de deuses e heróis. 26. ed. Rio de janeiro: Ediouro, 2002.
ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
JUNG, Carl Gustav. Psicologia e alquimia. Petrópolis: Vozes, 1990c.
______. Psicologia e religião. Petrópolis: Vozes, 1983. v. 11/1.
______. Tipos psicológicos. 1. ed. Petrópolis: Vozes, 1991e. 
ROGERS, Carl. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
VON FRANZ, Marie-Louise. HILLMAN, James. A tipologia de Jung. São Paulo: Cultrix, 1990.
WIKIPEDIA. A Tempestade ou O Livro dos Dias. Disponível em: . Acesso em 25 jun. 2015.
WIKIPEDIA. Santo Graal. Disponível em: . Acesso em 30 jun. 2015.

Frozen: uma congelante estória de recuperação

Capa do filme "Frozen".
     É interessante como certas animações, normalmente voltadas ao público infantil, conseguem tratar temas universais de maneiras muitas vezes mais eficazes, porque simbólicas, do que vários filmes dramáticos adultos. Frozen foi baseado no conto de fadas “A rainha da neve”, de Hans Christian Andersen. É a estória de como Elsa, que possui a habilidade de criar formas por meio do congelamento da umidade do ar, capacidade que é nova e estranha para a maioria, pode reprimi-la e, por isso, não desenvolvê-la. Expressa como a repressão de nossas potencialidades pode levar à opressão do próprio eu, ao sofrimento e ao isolamento das outras pessoas. A única saída que Elsa encontra para seu poder de congelamento é viver solitária, pois aí consegue não somente exercer plenamente sua habilidade, como pode fazê-lo sem medo de machucar alguém. Mantendo os poderes de Elsa escondidos, seus pais esconderam sua própria filha, já que são característica genuína dela. Ao mesmo tempo, Frozen conta a estória de como a extroversão e a introversão podem ser equilibradas, a timidez vencida, e até o início de uma psicose revertido, para uma boa relação do indivíduo com o mundo.
     A capacidade de tecer formas de gelo a partir do nada remete à imaginação, à criatividade e à intuição, habilidades que Elsa demonstra ter muito desenvolvidas. As irmãs Elsa e Anna são muito apegadas, e a primeira conduz a segunda pelas suas criações, o que a cativa. Entretanto, para um desenvolvimento saudável, os irmãos estão suscetíveis à diferenciação entre si, ao aprimoramento de faculdades diferentes e, assim, à apreciação também distinta pelos pais. Como Anna admira muito Elsa e sua capacidade imaginativa original, segui-la significaria sempre ser inferior, estar um degrau atrás, o que é um ferimento, um congelamento do seu próprio ser mental (Elsa a atinge com seu poder a cabeça da irmã). Então esta desenvolve a função sentimento e de
A capacidade criativa de Elsa.
forma totalmente extrovertida, o que será explicado melhor adiante. Quando a irmã a atinge novamente, desta vez no coração, órgão representativo de sua função mais desenvolvida, então Anna corre o perigo de virar uma estátua de gelo, um colapso de sua capacidade de entrega ao outro, de se doar e se identificar com outrem. Anna se fere com a irmã justamente devido a essa sua capacidade empática. Se Elsa sente culpa de ter ferido a irmã um dia, esta também sente que deve ter feito algo para a irmã separar-se inexplicavelmente dela.
     Percebe-se como Anna é notadamente extrovertida, desequilibradamente, ao ponto de chegar a atirar-se nos braços do primeiro homem que a seduz. Zacharias (2006, p. 58) afirma que o extrovertido se orienta de acordo com o ambiente externo, o que inclui pessoas, objetos e ocorrências. Assim, estes possuem predominância sobre os aspectos subjetivos, internos, da experiência. O interesse e a energia se voltam para o mundo externo, que se torna seu orientador e campo de ação. Ele se acomoda com facilidade ao meio externo e caminha junto a ele. Isso pode ser prejudicial se ficar limitado ao mundo externo, esquecendo-se de si e de seu próprio bem-estar. Pode ser que o extrovertido se desgaste tanto com as exigências externas, às quais valoriza, e assim chegue ao ponto da exaustão e da perda da saúde física. O perigo que corre, então, é o de ser absorvido pelos estímulos externos, perdendo-se neles. Como o sistema psíquico é um conjunto autorregulador, existe no extrovertido uma tendência à introversão inconsciente, e vice-versa. O inconsciente pode provocar disfunções nervosas e físicas para equilibrar a psique, ocasionando uma limitação involuntária à extroversão extrema (ou à introversão radical, no outro caso).
O extrovertido saudável é aquele em que a introversão também intervém. Uma pessoa é considerada extrovertida por ser essa sua disposição mais habitual e pelo fato de que sua função mais diferenciada age de maneira extrovertida, ficando a função auxiliar em uma disposição introvertida. Assim, para agir, esse indivíduo prefere a disposição extrovertida, mas mantém, em momentos pessoais, o contato com a introversão, contatando seus sentimentos e pensamentos não explicitados no dia-a-dia. (ZACHARIAS, 2006, p. 58-59)
Esquema simplificado das atitudes extrovertida e introvertida.
     O extrovertido, continua o autor, tende a vivenciar o mundo antes de entendê-lo. Mergulha nos acontecimentos antes de avaliar as implicações de suas decisões. Por isso é impulsivo e não resiste aos convites para participar de atividades. Prefere trabalhos em equipe, fala melhor que escreve, é mais generalista que especialista e mantém um bom diálogo enquanto faz outras coisas.
     Ao contrário de Anna, Elsa parece ser muito introvertida, e seu poder congelante revela ter relação estreita com essa característica (leia sobre o gigante de gelo posteriormente). Os introvertidos orientam-se por fatores subjetivos. Na verdade, os fatos exteriores não são rejeitados, mas sua atenção está centrada na impressão interna que esses fatos causam. A atenção é focada interiormente, nas impressões, nas emoções, nos pensamentos e nos sentimentos, isto é, nos processos internos que foram disparados pelo que se encontra lá fora. O introvertido prefere compreender o mundo antes de experimentá-lo, daí hesitar diante das oportunidades. Por isso é difícil aceitar imediatamente qualquer convite a alguma atividade. Prefere escrever a falar, e trabalhar com o mínimo de pessoas e distração. Os ambientes com muitos estímulos são evitados e tende a ficar alheio ao que ocorre à sua volta. Tem dificuldade em manter um diálogo enquanto faz outras coisas, preferindo fazer uma coisa de cada vez. Tende a se aprofundar muito em um assunto apenas do que ser superficial em variados temas (ZACHARIAS, 2006, p. 59-60).
     Como a extroversão parece ser a norma na cultura ocidental, a ponto de considerar a introversão como uma atitude egoísta ou fortemente egocêntrica (JUNG, 1991e, §696), ao expressar-se criativa e inadvertidamente, Elsa é considerada pelas autoridades presentes uma bruxa, e estranha para a população em geral. Mas Elsa não é somente introvertida. Sua autoestima foi depreciada pelos pais em benefício de Anna, considerada mais frágil por possuir maior capacidade de expressão, inclusive de sua ingenuidade, ao contrário da irmã, que, por pouco exteriorizar sua personalidade e ser mais velha, parece ser julgada mais forte por eles. Por isso se torna também extremamente tímida e insegura, o que se nota no modo como precisa usar luvas para tocar os objetos e as pessoas, pois estas a sentem como “fria”, “congelante”. A timidez é uma grande fragilidade perante a rejeição dos outros e, por isso, os tímidos evitam expor-se, principalmente a estranhos ou ao grande público. Já o introvertido pode expor-se se isso for necessário, caso contrário prefere não aparecer por desconsiderar o ambiente externo, e não por medo de rejeição, como ocorre com o tímido (ZACHARIAS, 2006, p. 60).
Elsa em seu castelo.
     Elsa surta, foge e torna todo o reino gélido, reflexo de seu estado emocional. Ela constrói um castelo no ar e vai viver nele, sintoma característico da psicose. Nesse castelo, em outro mundo, ela pode viver tranquila, pode ser quem é, em total liberdade. Por fora, todos sentem sua frieza e como não extravasa mais seus sentimentos. Tudo isso é também resultado principalmente da maneira como foi criada, sem amor, sem valorização de sua essência, de sua genuinidade. Seu ego se estruturou mais fragilmente, pois não foi reforçado pela afeição. É então que ela canta uma canção, cujas partes reproduzidas a seguir são extraídas da versão cinematográfica dublada em português e da versão traduzida do site Vagalume, quando esta for considerada a tradução mais precisa.
O vento está uivando como este turbilhão tempestuoso dentro de mim / Não consegui mantê-lo lá, o céu sabe que eu tentei / Não os deixe entrar, não os deixe ver / Seja a boa menina que você sempre deve ser / Oculte, não sinta, não deixe que eles saibam (VAGALUME, 2014).
     O introvertido tenta manter ao máximo seus conflitos internos dentro de si, sem expressá-los. Como desvaloriza o meio ambiente externo, não tem por que fazê-lo. Ainda mais o tímido, que teme poder ser rechaçado pelos outros. Entretanto, quando a introversão é extrema, como no caso de Elsa, a pressão para extravasar o próprio ser é imperiosa e por isso “explode”. Infelizmente, seus pais transmitiram que ela não devia se manifestar e ser livre, em benefício da irmã e para que ninguém a achasse estranha. “Oculte, não sinta” - ela tem que fazer de conta que leva uma vida normal, que não se sente rejeitada, envergonhada e desvalorizada. A situação não poderia continuar assim.
De longe tudo muda / Parece ser bem menor / Os medos que me controlavam / Não vejo ao meu redor / É hora de experimentar / Os meus limites vou testar / A liberdade veio enfim / Pra mim / Livre estou, livre estou (FROZEN, 2014).
     A liberdade tão ansiada por Elsa e o surto que a torna aparentemente psicótica (esquizofrênica) são condições que coincidem com uma história verídica que fez sucesso no filme que inspirou, muito conhecido: “Uma mente brilhante”, de Ron Howard, estrelado por Russell Crowe. O livro do mesmo nome, de Sylvia Nasar, no qual o filme foi baseado, traz muito mais conteúdos sobre a vida de John Nash, gênio da matemática que se tornou esquizofrênico. Em uma carta à sua primeira esposa, Nash escreveu: “Percebe, você deve simpatizar mais com as verdadeiras necessidades de libertação, libertação da escravidão, libertação da castração, libertação da prisão, libertação do isolamento...” (NASAR, 2014, p. 464). A autora cita outro autor que discorre da recuperação de Nash: “O fato de ficar mais livre para se expressar, sem medo de que alguém o mandasse ficar calado ou o entupisse de remédios, deve tê-lo ajudado a sair de seu isolamento linguístico hermético, para onde fizera uma retirada desastrosa” (Ibid., p. 474). Infelizmente, Nash não conheceu o trabalho de Nise da Silveira, brasileira que dedicou sua vida recuperando psicóticos com pinturas em tela, onde eles podiam se expressar, exteriorizando seus loucos conteúdos em conexão com a realidade do quadro.
Você nunca vai me ver chorar / Aqui estou e aqui ficarei / Deixe a tempestade se alastrar / Meu poder agita através do ar até o chão / Minha alma está espiralizando em flocos congelados por toda parte / E um pensamento cristaliza como uma explosão de gelo / […] / A garota perfeita se foi / Aqui estou à luz do dia / Deixe a tempestade se alastrar (VAGALUME, 2014).
     Para uma introversão intensificada pela timidez, as próprias criações imaginativas solitárias da alma são suficientes. Enquanto não se expressava, não se mostrava como era, parecia a garota perfeita e não a estranha bruxa que todo mundo supôs ser. É preferível viver sozinha a permanecer com medo de ferir, mas sempre se machucando.
     Em certo ponto do filme Elsa cria, sem saber, o boneco de gelo Olaf, símbolo do Si-mesmo, o qual diverte com sua capacidade de ser desmontado e reintegrado. Falando do caráter de futuro do símbolo da criança, da qual Olaf apresenta muitos aspectos, Jung (2000, §278) diz que a meta do processo de individuação é a síntese, isto é, a criação do Si-mesmo. Este é a inteireza que transcende a consciência e o ego do indivíduo. Segundo o autor, os símbolos do Si-mesmo ocorrem frequentemente no início do processo da individuação e podem ser observados nos sonhos iniciais da primeira infância (Olaf aparece no início do exílio de Elsa e quando as irmãs eram crianças). Isso indica que o
Olaf representa o Si-mesmo de Elsa e possui a
atitude extrovertida, sombria para ela.
Si-mesmo é uma potencialidade, uma possibilidade de vivência, que já existe desde cedo, mas que depende de uma montagem, de materialização, de uma síntese. Observa-se esse modelo inicial do Si-mesmo na introdução do filme, quando as crianças montam Olaf, que é um simples boneco de neve comum, inanimado. Porém, mais tarde, Anna o encontra quando está para se deparar com Elsa. Devido ao momento em que surge, e totalmente animado, ele parece significar o início das tentativas de Elsa de integração de seus diversos aspectos. O trabalho de integração psíquico, o processo de individuação, consiste em uma série de separações e unificações. “A união interior deve ser interpretada como um 'fortalecimento' frente a influências externas desintegradoras” (JUNG, 2000, §612). Anna, por sua vez, parece representar a potencialidade de extroversão que a irmã precisa para se equilibrar e conviver socialmente. Olaf fica do lado de Anna, que representa o lado sombrio de Elsa que precisa ser mais integrado à vida da irmã.
     Mas Elsa, para se proteger de ameaças à sua vida, representadas por interesses de poder nos personagens Hans e Duque de Weselton, cria um gigante de gelo, que coloca em perigo a vida da própria irmã e que se opõe à inteireza da psique (Olaf). Em algumas versões da mitologia nórdica, onde há gigantes de gelo e de fogo, estes surgiram antes dos deuses. Aqui o fogo remete à emocionalidade. O gelo representa o clímax de um estado emocional que se transforma em rigidez.
Provavelmente vocês já viram alguém em um estado de fúria apaixonada. Se isso se intensifica, de repente a pessoa não sente mais nada, a emoção baixa; a pessoa torna-se completamente fria como o gelo e rígida, em consequência da raiva; em lugar da reação emocional quente a pessoa fica petrificada de raiva, ou num estado de choque, qualquer que tenha sido a emoção original. Ela fica literalmente com as mãos frias, tiritando, pois todos os vasos sanguíneos se contraem e, ao invés de ficar com a cabeça quente, sentindo a emoção que abrasa, a pessoa fica fria. O gelo é um passo adiante, quando a emocionalidade cai no outro extremo. Assim, isso está de acordo com o fato de que os gigantes na mitologia são os soberanos dos domínios do gelo e do fogo, desde que ambos são estados não humanos e completamente fora do equilíbrio. (VON FRANZ, 1985, p. 267-268)
O monstro de gelo simboliza o terror de Elsa
na interação com outras pessoas.
     O monstro de gelo é uma personificação do medo e do terror de Elsa que se volta agressivamente contra todos que se opõem à liberdade recém-conquistada. Elsa se torna uma vilã, como ocorreu com Malévola (2014), cuja estória também foi interpretada e está disponível aqui. Totalmente frozen (congelada), só conseguirá trazer a irmã petrificada de volta e descongelar o reino quando descobrir a capacidade de amar a si mesma (o que ocorre no exílio) e, consequentemente, aos outros, por meio da irmã. No final do filme ocorre um equilíbrio nas atitudes de introversão e extroversão extrema das irmãs: uma passa a ficar à vontade para usar sua capacidade criativa junto à população; a outra não se entrega a Kristoff de pronto, como fez com Hans, o qual se revelou um patife.
     Cabe aqui mais uma observação sobre Alef. Como personificação do novo jeito de ser de Elsa, ele almeja conhecer o verão e o calor, que são elementos opostos à sua essência gelada. Apenas quando sua criadora se harmoniza, ele é capaz de manter-se íntegro mesmo vivendo em meio ao calor, por meio de uma nuvenzinha gélida própria, criada por Elsa. É como se esta entendesse a necessidade de sua conexão com seu Si-mesmo, seu núcleo de integração e sustentação de seu ser psíquico. Nesse sentido, a nuvenzinha que faz cair neve constante sobre o boneco animado parece figurar um eixo de ligação do seu eu com o Si-mesmo. Olaf é um ser feito de neve, que é, no entanto, caloroso, engraçado e extrovertido também. Ele comporta qualidades totalmente opostas, e por isso simboliza a totalidade da protagonista que a leva à completa realização: aceitação do seu ser por si mesma e pelos outros, e amor por todos estes.
     Semelhante ao gênio esquizofrênico, Nash, Elsa ficara isolada por imposição, devido à sua grande capacidade criativa. Do mesmo modo ela quis se libertar da “castração” um dia imposta por seus pais e depois prolongada por ela mesma. Só quando conseguiu ficar livre para se expressar sem medo de rejeição, quando finalmente pôde sentir e manifestar o amor que nutria pela irmã com a sua perda, é que se conectou novamente à realidade.
     No entanto, isso não teria sido possível sem o amor incondicional da irmã, que insiste em trazê-la de volta ao lar, à realidade. Ao perceber Anna totalmente congelada, produto de seu descuido, Elsa é obrigada a sair de seu casulo congelante, enfrentar a realidade e extravasar seu amor. Mas aí tudo se transforma, pois percebe que todo o inverno em que vivia constituía uma vigorosa projeção do que se encontrava em seu interior. Talvez até o congelamento da sua irmã fosse uma projeção que ela teve que descartar por sentir-se genuinamente aceita e amada. Então Elsa se torna capaz de usar sua capacidade criativa totalmente em sintonia com todos ao redor. Ninguém mais a teme, pois ela não mais teme a si mesma. Ninguém a repele ou a encarcera, já que ela conseguiu libertar o seu ser com o autoconhecimento e, acima de tudo, com o amor próprio e o da irmã.

Ao ser capaz de expressar seu amor pela irmã,
Elsa consegue se recuperar.



REFERÊNCIAS

As citações neste texto possuem referências que podem ser encontradas aqui (ou vá à página Referências, neste site).
Link: http://www.vagalume.com.br/frozen-trilha-sonora/let-it-go-idina-menzel-traducao.html#ixzz3EdjDaZVE

Tipos psicológicos: teoria e vivência (oficina)


Tipos psicologicos teoria e vivencia de Charles A. Resende

Slides da oficina "Tipos psicológicos: teoria e vivência", ministrada por Charles A. Resende, com relato de fatos da vida relacionados aos tipos psicológicos (baseados na vivência do autor com clientes, amigos e parentes) e momentos de vivência. Os slides e a oficina podem ser expandidos e editados de acordo com a demanda da empresa ou da instituição. Contato: (12) 99734 9729 ou
e-mail charlesalres@gmail.com

A monografia no slide se refere ao seguinte trabalho:
"A intuição e a sensação em dependentes de drogas na perspectiva da Psicologia Analítica"

(Leia mais a respeito: "A verdadeira atitude científica", "A previsão de fatos, contextos e ideias irracionais")