Em busca de sentido

“O sentido torna muitas coisas, talvez tudo, suportável.” Carl G. Jung

O sentido nos conecta à realidade, nos faz viver apesar do sofrimento, dá coerência ao que somos

diante da coletividade, leva luz às trevas e é alimento da alma.

Comentários sobre o livro "O Papalagui"

Livro muito original. São preciosas cem páginas que retratam a visão de um "primitivo" [sim, entre aspas mesmo!] - Tuávii, chefe da tribo Tiavéa, das ilhas Samoa - sobre a Europa "civilizada". "Papalagui" quer dizer "homem branco". Apesar de ter sido escrito entre 1914 e 1915, sem dúvida retrata ainda com fidelidade a civilização atual. Na verdade o livro se dirigia apenas aos polinésios, seu povo, o que faz com que a obra seja ainda mais interessante, pois percebe-se uma ingenuidade e uma despretensão extremas. A humildade de seus comentários formam críticas perspicazes ao modo de viver moderno. Até o que chamaríamos "análise marxista" se encontra no livro de uma forma simples e bem clara. O livro é muito útil porque passa uma visão de um indivíduo muito ligado à natureza sobre a nossa cultura, perpassando desde nossos vestuários e moradias até costumes que achamos positivos, tais como cinema e jornalismo. Nos mostra o seu outro lado, de uma forma que seríamos incapazes de perceber. Vale a pena ler.

Algumas pérolas do livro:

"Os Brancos corromperam os missionários para que eles nos enganassem com as palavras do Grande Espírito. Pois o metal redondo e o papel pesado, que eles chamam dinheiro, é que são a verdadeira divindade dos Brancos."

"Existe aí uma grande injustiça que o Papalagui não nota, nem quer pensar sobre isto para não ser obrigado a reconhecer que ela existe. Nem todos que têm muito dinheiro trabalham muito."

"Ó irmãos, acreditai no que vos digo: ocultei-me atrás dos pensamentos do Papalagui e vi o que ele quer, como se o iluminasse o sol do meio-dia. Destruindo, onde quer que vá as coisas do Grande Espírito, o Papalagui com sua própria força pretende dar vida, novamente, àquilo que matou, convencendo-se assim de que é o Grande Espírito porque faz muitas coisas."

"Mostra que é muito pobre aquele que precisa de coisas em quantidade porque, assim, prova que lhe faltam as coisas do Grande Espírito." 

"Ó irmãos, que é que pensais do homem cuja cabana é tão grande que dá para uma aldeia inteira e que não oferece ao viajante o seu teto por uma noite? Que é que pensais do homem que tem um cacho de bananas nas mãos e não dá uma só fruta a quem, faminto, ávido, lhe pede? Vejo a zanga nos vossos olhos, o maior desprezo nos vossos lábios. E vede que é isso que o Papalagui faz a todo momento. E mesmo que tenha cem esteiras nenhuma dá ao que nenhuma tem. Pelo contrário, acusa-o e censura-o por não ter. Pode estar com a cabana cheia de mantimentos até o alto, muito mais do que ele e sua aiga comem em 100 anos. Não sairá à procura dos que não têm o que comer, dos que estão pálidos de fome. E há muitos Papalaguis pálidos de fome. A palmeira deixa cair as folhas e frutos que estão maduros. Mas o Papalagui vive como se a palmeira quisesse retê-los. "São meus! Não os tereis! Jamais deles comereis!" Mas como faria então a palmeira para dar novos frutos? A palmeira é muito mais sábia do que o Papalagui."

"Assim, todas as coisas prodigiosas do Papalagui têm um lado fraco, oculto em algum lugar; máquina não há que não precise de quem a vigie, de quem a toque; máquina não há que não contenha uma secreta maldição. A mão poderosa da máquina faz tudo, sim, mas enquanto trabalha, vai devorando o amor que encerram as coisas que fazemos com as mãos. De que me serve uma canoa, uma clava talhada pela máquina? Uma máquina é um ente frio, sem sangue, que não sabe falar do seu trabalho, que não sorri quando acaba; que não pode mostrá-lo ao pai e à mãe para que eles também fiquem contentes. Como é que poderei amar minha tanoa se uma máquina é capaz de fazer outra igual a qualquer momento, sem o meu trabalho? Aí está a grande maldição da máquina: é que o Papalagui já não ama coisa alguma porque a máquina pode refazer tudo, a qualquer momento. Para que a máquina lhe dê os seus prodígios sem amor, o homem deve alimentá-la com o próprio coração.

O Grande Espírito é que determina, sozinho, as forças do céu e da terra; é quem as reparte como lhe parece melhor. Não cabe ao homem fazer isso; não é impunemente que o Branco tenta transformar-se em peixe, ave, cavalo e verme. E com isso ganha muito menos do que confessa. Quando atravesso uma aldeia a cavalo, vou mais depressa, é claro; mas quando caminho a pé, vejo mais coisas e o meu amigo pode me convidar para entrar em sua cabana. Raramente se ganha de verdade quando se chega mais rapidamente ao que se procura. Mas o Papalagui está sempre querendo chegar depressa ao seu objetivo. Quase todas as suas máquinas servem, apenas, para chegar rápido a certa meta. Mas, quando chega, outra meta o atrai. O Papalagui desse modo vive sem jamais repousar; e cada vez mais desaprende o que é andar, passear, caminhar alegremente em direção ao que não procuramos mas vem ao nosso encontro."

"Quem lê o jornal não precisa ir a Apolima, Manono, Saváii [ilhas de Samoa] para saber o que os amigos fazem, pensam, comemoram. Pode-se ficar deitado, calmamente, na esteira que os muitos papéis contam tudo."

"Mas não é só isto que faz do jornal uma coisa tão ruim para a nossa mente, quando nos conta o que aconteceu; é que ele também nos diz o que devemos pensar a respeito disso e daquilo, a respeito do nosso chefe, dos chefes de outros países, de tudo quanto ocorre, de tudo que a gente faz. O jornal gostaria de fazer que todos os homens pensassem igual; o jornal é inimigo da minha cabeça, é inimigo do que eu penso."

A intuição e a sensação em dependentes de drogas na perspectiva da psicologia analítica

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RESUMO

Este  trabalho  investigou a  relação das  funções  intuição e  sensação com a dependência química sob o enfoque da Psicologia Analítica. Empregou-se pesquisa bibliográfica e estudo exploratório. A pesquisa  foi  realizada em uma Casa de Recuperação de Dependentes da cidade de Taubaté e contou com a participação de dezoito internos, nos quais houve a aplicação do Questionário de Avaliação Tipológica  – QUATI  (Zacharias, 2000). Destes,  foram selecionados dois  voluntários para entrevista de anamnese que apresentavam as  funções  investigadas  como  principal,  os  quais  configuraram  os  tipos  sensitivo  e  intuitivo,  ambos introvertidos. Verificou-se a existência de  influência recíproca entre as funções estudadas e a dependência química, assim como de  indícios de  influência da tipologia psicológica na adaptação  e  na  seleção  dos  internos  à  Casa  de  Recuperação.  Os  achados  deste  estudo  podem contribuir para com as  instituições de recuperação, com as práticas de prevenção, com as  intervenções  terapêuticas e com os dependentes químicos.  Indica-se  também a necessidade de novas pesquisas com referência à relação estudada.


ABSTRACT

This study  investigated  the connection of  intuition and  feeling  functions with  the drug addiction  from  the perspective of Analytical Psychology. For  that,  it used  the  literature review and exploratory study. The survey was conducted  in a House of Dependent Recovery in Taubaté and was taked part by eighteen inmates, in which there was the implementation of the Questionário de Avaliação Tipológica  (Assessment Questionnaire Tipológica)  - QUATI (Zacharias, 2000). Of  these,  two volunteers were  selected  for anamnesis  interview who presented  the main  features  investigated, which  shaped  the  sensitive  and  intuitive  types,  both introverts. It was found that there  is  interplay between the functions being studied and addiction as well as evidence of  the  influence of psychological  typology  in  the adaptation and  the selection of  inmates  to  the House of Recovery. The  findings of  this study may contribute  to the  institutions  of  recovery, with  the  practices  of  prevention,  treatments  and with  the  drug addicts. It is also stated the need for further research with reference to the connection studied.

FICHA RESUMIDA DA OBRA
Inf. publicação
TCC/Monografia - Português
Classificação
150.195 TCC
Notação
R433i
Ent. princ.
Resende, Charles Alberto
Título
Imprenta
Taubaté, 2009
Desc. física
139 p. : il.
Bibliográficas
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) - Departamento de Psicologia, Universidade de Taubaté, Taubaté, 2009.
Ent. de assuntos
1. Droga
2. Droga-dependência
3. Psicologia analítica
4. Tipos psicológicos
Ent. sec.
I. Rezende, Manuel Morgado (Orientador)
Link do título
http://sibi.unitau.com.br/sophia_web/index.asp?codigo_sophia=112699